EUA e Rússia firmam acordo para reduzir armas nucleares estratégicas

8 04 2010

O novo Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês) prevê que os ex-rivais da Guerra Fria tenham, no máximo, 1.550 ogivas nucleares. O número é cerca de 30% menor que o estabelecido em 2002. Também foram impostos limites aos mísseis balísticos intercontinentais, necessários para lançar as ogivas em caso de ataque.

Fechado após meses de duras negociações, o acordo foi finalizado pelos líderes em Praga. Após uma reunião privada, Obama e Medvedev sentaram-se lado a lado para firmar o documento, visto também como importante passo para o “relançamento” da muitas vezes abalada relação bilateral.

Obama qualificou o evento como “extraordinário” e um “importante marco” para as tentativas de restringir o uso de armas nucleares. Ele qualificou o tratado como “um passo em uma jornada mais longa. Esse tratado estabelecerá as condições para cortes maiores”. Obama disse ainda que as duas nações, que possuem mais de 95% das armas nucleares do mundo, devem mostrar “liderança global responsável”.

Medvedev afirmou que o tratado permite “aumentar o nível de cooperação” entre EUA e Rússia. O líder russo reconheceu que a negociação “não foi simples”. Em Praga, exatamente 12 meses atrás, Obama fez um discurso se comprometendo com a meta de um mundo sem armas nucleares. Ele reafirmou o comentário de um ano atrás, segundo o qual o desarmamento é “um objetivo de longo prazo, que não será alcançado enquanto eu estiver vivo”.

O documento é firmado em um ano importante para as tentativas de se evitar a proliferação nuclear, quando a comunidade internacional pressiona a Coreia do Norte para se desarmar e o Irã para restringir seu programa nuclear.

Nova postura

Obama anunciou nesta semana uma nova postura dos EUA na questão nuclear, afirmando que Washington não atacará com armas atômicas um país sem armas nucleares. Ele citou, porém, Coreia do Norte e Irã como exceções. Na semana que vem, o líder dos EUA será anfitrião de um encontro para discutir a segurança nuclear em Washington. Em maio, a sede da ONU em Nova York recebe uma reunião sobre o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

O documento firmado pelos presidentes precisa ser ratificado pelos legisladores dos dois países. O texto deve substituir o Start de 1991, que expirou em dezembro passado. As negociações para o atual tratado foram atrapalhadas por vários fatores, em especial pelo projeto dos EUA de instalar um sistema antimísseis no Leste Europeu. Moscou via essa iniciativa como uma ameaça direta ao país, apesar de Washington citar que o alvo era apenas o Irã. Agora, Obama disse que os dois lados concordaram em ampliar as conversas sobre um plano de defesa dos EUA para a Europa.

A Rússia já afirmou que pode desistir do novo tratado, caso se sinta ameaçada pelo sistema de defesa dos EUA. Uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China elogiou o tratado firmado por Rússia e EUA. A funcionária ressaltou ainda a natureza “defensiva” do programa nuclear de Pequim, que não pretende ser o primeiro a usar armas nucleares “sob quaisquer circunstâncias, em qualquer época”.

Ainda hoje, Obama se encontrará como 11 líderes do Leste Europeu e do centro do continente, cujos países temem perder apoio de Washington caso Obama se aproxime cada vez mais da Rússia. Milhares de policiais foram destacados para fornecer segurança para o encontro dos líderes de EUA e Rússia em Praga. As informações são da Dow Jones.

FONTE: Estadão





Jobim afirma que Brasil não assinará Tratados de Não Proliferação Nuclear

11 12 2009

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, voltou a afirmar hoje (9) que o Brasil não irá assinar qualquer protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, cedendo a pressões externas.

“Esta é uma decisão tomada pelo presidente da República e que consta da Estratégia Nacional de Defesa. Não assinaremos nenhum protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares”, declarou Jobim, ressaltando que embora o país não tenha interesse em desenvolver armas nucleares, “não pode abrir mão de conhecer a tecnologia nuclear”.

“É necessário, isso sim, que os países [que detêm armas] nucleares comecem a reduzir seus armamentos. Porque a dissuasão nuclear – que parte do pressuposto de que se pode usar uma arma que atinja indiscriminadamente civis não insurgentes – é imoral”, avaliou o ministro durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e que durou mais de quatro horas.

Proposto em 1968, o tratado conta com a adesão de 189 países. Originalmente, o acordo estabelecia que o bloco das cinco pontências nucleares (Estados Unidos, União Soviética (atual Federação Russa), China, Reino Unido e França) poderiam manter o armamento, mas vedava a transferência ou o repasse da tecnologia de fabricação para os outros países. Os Estados Unidos, no entanto, jamais assinaram o pacto.

Já para os demais signatários o tratado estabelecia o compromisso de não fabricarem armamentos nucleares. Em 1970, um novo acordo permitiu que os países desenvolvessem tecnologia nuclear para fins pacíficos, como a geração de energia. Além disso, as cinco potências nucleares deveriam desarmar-se.

Quinquenal, o tratado deve ser revisado no ano que vem. Para Jobim, os acordos não tiveram sucesso em reduzir a quantidade de armamentos nucleares.

FONTE: Agência Brasil, via Forças Terrestres








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